Ao publicar reportagem sobre a divulgação de análises realizadas pelo Instituto Nacional de Criminalística, em 5 de novembro de 2007, O Estado de São Paulo afirma que os altos índices de alcalinidade detectados nas amostras não devem ser considerados prova cabal da presença de soda cáustica no leite. Outras substâncias também poderiam causar essa alteração no teor, entre as quais carbonato e bicarbonato.
Laudo não confirma presença de soda cáustica em leite
Água oxigenada também não foi comprovada, apesar do teor alcalino
Vannildo Mendes
(Brasília)
Laudos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) divulgados ontem pela Polícia Federal atestam a adição de água, açúcar, sal, citrato, soro e outros produtos estranhos em 12 das 13 amostras de leite coletadas em duas cooperativas do triângulo mineiro, suspeitas de fraudes na produção, mas em nenhum momento confirmam categoricamente que encontraram vestígios de soda cáustica nas amostras, como vinha afirmando a polícia desde a operação Ouro Branco, desencadeada em outubro passado. Em dez das amostras, foi encontrado elevado teor de alcalinidade, indicando a presença de elementos químicos para mascarar a adição de água e a deterioração do produto pela ação de bactérias.
Os laudos dizem que um dos causadores de alcalinidade pode ser a soda cáustica, usada para aumentar o volume de leite, mas admitem também a hipótese de que essa alteração seja provocada por citrato de sódio e outros sais, como o carbonato e o bicarbonato, além de fosfatos e cloreto de sódio. Também não comprovam o uso de água oxigenada, igualmente diagnosticado pela PF com base em análises preliminares.
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