Jornal paranaense entrevista vice da ABLV
O jornal Folha de Londrina publica, em 18 de dezembro de 2007, entrevista com Laércio Barbosa, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV). A entrevista foi bastante elucidativa, sobretudo ao detalhar que não procede a acusação de fraude por adição de substâncias impróprias para o consumo humano no leite longa vida.
Empresas tentam recuperar mercado
Vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida, Laércio Barbosa defende o setor: ‘Acusação não foi cabível’
A fraude descoberta em cooperativas mineiras que revendem leite para grandes laticínios acendeu a luz vermelha e arranhou a imagem do setor. A população de todo o País se assustou com a adição de sódio e água oxigenada para aumentar a produção. As empresas estão gastando recursos publicitários para tentar recuperar a credibilidade. Vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida, Laércio Barbosa defende o leite de caixinha alegando que a fraude está na ”matéria-prima”. Atualmente, 76% do leite vendido no país é longa vida, e 24% de saquinho (pasteurizado).
Por que a contestação?
Os laudos finais sobre o que aconteceu em Minas Gerais comprovaram que, em nenhum momento, a adição de soda cáustica ou água oxigenada foi detectada em leite longa vida. Houve uma incorreção no início da divulgação da investigação associando a fraude ao longa vida quando, na verdade, ela foi detectada no leite cru. Inclusive, uma das cooperativas mineiras que estão sendo investigadas nem produz leite longa vida.
Mas o leite cru não foi, posteriormente, processado como longa vida?
Algumas empresas de longa vida compravam leite dessas cooperativas (que praticaram a fraude), mas não se sabe o destino da matéria-prima fraudada. O leite era vendido para indústrias de leite em pó, de queijo, leite pasteurizado, indústria de iogurte e de leite longa vida. Todo o setor comprou matéria-prima dessas empresas. Então, por que a acusação em cima do leite longa vida? Isso não é cabível.
Que tipo de empresa vendia a matéria-prima?
São cooperativas que captam o leite dos produtores e revendem em caminhões tanques.
A população tem hoje sérias dúvidas sobre a qualidade do leite brasileiro…
Uma das empresas não tinha leite longa vida, a outra tinha. É um caso isolado de uma empresa do setor. Aí a pergunta natural que se faz é a seguinte: por que, no decorrer do processo, apareceram outras duas marcas (da Parmalat e de uma cooperativa de Uberlândia) com lotes suspensos pela Anvisa? Veja, essas empresas não têm relação com o leite das cooperativas que fraudaram, elas compraram leite em outros mercados. O Parmalat foi produzido com leite do Rio Grande do Sul e o de Uberlândia, em Goiás. A análise que a Anvisa fez e passou para a Polícia Federal, atestando que o produto estava fora do padrão, não confirma soda cáustica no produto. Essa análise mede o teor de sódio no produto, mas o leite longa vida tem adição de nitrato de sódio, estabilizante permitido pela legislação. Então, foi feita uma análise que não deve ser feita para esse tipo de produto.
Especialistas ouvidos pela FOLHA dizem que a adição de nitrato pode mascarar a fraude do sódio em leite longa vida…
Todo o leite longa vida tem nitrato de sódio, é padrão de mercado. Por isso vai dar alteração, mas não se pode fazer essa relação (de fraude).
O leite de saquinho é mais nutritivo do que o longa vida?
Não. Há documento oficial do ministério da Agricultura afirmando que os dois produtos têm qualidades nutricionais semelhantes. Essa afirmação muitas vezes é colocada de modo depreciativo. A diferença é que a pasteurização normal mata 99% dos microorganismos e a ultra pasteurização (UHT) mata 100%.
Com isso, não mata também os nutrientes? O senhor falou em qualidades nutricionais semelhantes, não idênticas…
O leite não é fonte de lactobacilos num nível que traria benefícios.
Como é a qualidade do leite brasileiro, nas propriedades?
Há diferenças regionais, a legislação (sobre a qualidade) não cobre todo o País. No centro-sul, a produção é de boa qualidade e algumas regiões, em especial o produzido em Castro (PR), Vale do Paraíba (SP) e triângulo mineiro (MG). No nordeste, a normativa ainda não foi implementada.
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