Denúncias sem fundamento

Nilson Muniz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida, assina artigo publicado pelo jornal Diário do Grande ABC (SP), em 28 de novembro de 2007. No texto, Muniz esclarece que não existe qualquer comprovação ou laudo que aponte a adulteração do leite longa vida por adição de substâncias químicas impróprias para consumo humano.

Denúncias e opiniões sem fundamento sobre o leite longa vida

Muito tem se falado sobre as adulterações no leite. Porém, tão graves quanto as fraudes podem ser as denúncias e as opiniões sem fundamento que espalham desinformação e medo entre a população. Atribuiu-se aos produtores de leite longa vida a fraude de adição de água oxigenada e soda cáustica ao produto pelas cooperativas Casmil e Copervale, mas a presença desses contaminantes foi detectada somente no leite cru, não no leite longa vida.

O primeiro laudo do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) sobre amostras extraídas de dois caminhões-tanque da Casmil atesta a “fraude por adição de peróxido de hidrogênio em leite cru”. O texto afirma que: “a adoção dessa prática, em desacordo com a legislação vigente, objetiva o prolongamento da vida útil da matéria-prima até seu beneficiamento”. Isso significa que a fraude ocorreu antes da entrada do leite na indústria.

No caso da Copervale não há um padrão de análises de soda cáustica para o longa vida. O produto foi avaliado com o teste de cinzas alcalinas indicado para leite cru. Ocorre que se adiciona ao longa vida citrato de sódio (um estabilizante presente no leite natural, permitido por lei e declarado na embalagem). Esse sódio, portanto, estará nas cinzas - em percentual superior ao registrado no leite cru - e pode ser apontado erroneamente como um indicador de soda cáustica. Até o momento, nenhum laudo indicou a presença dessas substâncias no leite longa vida.

Outro questionamento diz respeito à procedência do leite cru, usado para fabricar o longa vida. A indústria do leite longa vida se abastece nas mesmas bacias leiteiras usadas pelos fabricantes de leite pasteurizado e em pó, queijos, iogurtes etc. E faz rigorosa seleção, por meio de testes determinados pelo Ministério da Agricultura. No caso de irregularidades, o leite é imediatamente devolvido à origem.

O leite longa vida não tem conservantes. A sua durabilidade por até seis meses em embalagem fechada, com a preservação do seu valor nutricional, é garantida pelo processo de ultrapasteurização, em que o líquido é aquecido entre 130°C e 150°C por um período de 2 a 4 segundos e, em seguida, resfriado à temperatura ambiente. É a ultrapasteurização que elimina todos os microorganismos.

A Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida (ABLV) condena qualquer ação que ponha em risco a qualidade do produto e a saúde do consumidor, apóia as iniciativas que assegurem a integridade do leite consumido pela população, assim como sempre se posicionará para esclarecer informações equivocadas sobre o leite longa vida, que conquistou a confiança dos consumidores por aliar qualidade e praticidade com segurança alimentar.